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Dos Males O Menor

Há poucos dias da regulamentação, das condições de isolamento da quarenta em que as regras entraram em vigor em 12 de março de 2020 com a publicação da portaria no Diário Oficial da União (DOU). A medida faz parte das ações para enfrentamento da Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) decorrente do “agente” derivado da família Coronavírus. O objetivo continua sendo, evitar a dispersão no Brasil com dimensões continentais e com 5.570 municípios. Todos os estados possuem a transmissão comunitária e com registros de mortes, os maiores números de casos estão nas regiões do Sudeste, destacando se a cidade de São Paulo com 778 mortes e 11.043 casos confirmados. A taxa de letalidade no Brasil está em 6% com pouco mais de 1.700 mortes e o total de casos confirmados em pessoas com a doença Covid 19, são 28.320 mil, contudo segundo o próprio Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, estes números estão subnotificados, isto é, devido a maciça falta de testes o número é muito maior do que os apresentados nos boletins diários informado pelo governo. No mundo o total de mortes ultrapassam 132 mil pessoas e o número de casos confirmados são da ordem de mais de 2 milhões. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde em 15 de abril. O Coronavírus de nome oficial Sars-Cov-2 (“Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2”) com tradução livre significa: Síndrome Respiratória Aguda Grave do Coronavírus 2.

Por mais que, o mundo tenha vivido outras pandemias na História, a Covid 19 possui diversas características diferentes, além de ser 10 vezes mais letal que a H1N1 surgido no México em final de 2009, segundo a OMS , também na forma de uma progressão geométrica em relação à rapidez de contaminação e do ponto de vista como afeta todo o sistema mundial. É uma guerra contra o tempo de proporções sanitárias, econômicas e sociais. Para que a evolução da doença não ocorra é necessário reduzir o aumento da curva exponencial, que acelera feito um foguete, caso medidas de Estado não fossem e continuem sendo tomadas para sua efetiva desaceleração. Faz se necessário e por vezes obrigatório a desaceleração da curva exponencial, pois, não existem números de leitos suficientes, em nenhum lugar do mundo, entenda-se: países, províncias, ilhas, estados e municípios, quando os números de casos explodem ao mesmo tempo, colapsando não só o sistema de saúde como todos os outros mencionados. O que se quer evitar é o maior número de mortes possíveis, enquanto se é mantido as atividades econômicas essências em operação, no caso do Brasil de acordo com o os decretos: 10.282 e o 10.292 que amplia a oferta dos serviços. Disponível neste link.

As prioridades já destacadas pela OMS e Ministério da Saúde são de salvar vidas. As medidas se concentram em prevenção e em higiene pessoal, tais como: Isolamento Social, Quarentena e Lockdown (Fechamento total) entre outras relatadas no regulamento, mencionado acima. Estas são as mesmas medidas tomadas, em quase totalidades dos países, respeitando suas características de estágio de disseminação do Coronavírus. E estas medida não são aleatórias. Muitos estudos sanitários bem como sócios econômicos foram e continuam sendo realizados, dentre tantos destaco lhes alguns, a seguir o dos economistas Sergio Correia, Stephan Luck e Emil Verner. Os dois primeiros são do Federal Reserve (Fed, o Banco Central Americano) e o terceiro é filiado à escola de negócios Sloan School of Management, do MIT (Massachusetts Institute of Techonology). O estudo diz que a adoção de medidas restritivas e duradouras de isolamento social durante uma pandemia, como a causada atualmente pelo Coronavírus, pode levar a uma recuperação econômica mais rápida e robusta após o seu fim.

A conclusão se baseia na experiência dos Estados Unidos durante e após a chamada gripe espanhola, que se estendeu entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920, causando, pelo menos, 50 milhões de mortes globalmente e infectando cerca de um terço da população mundial. As cidades que adotaram o Isolamento Horizontal se recuperam mais rapidamente do que as cidades que não adotaram.

Existe uma ampla concordância entre economistas, no mundo todo e das mais diversas escolas de pensamento: Neoliberal, Ortodoxas, Keynesianas entre outras, de que a necessidade de isolamento social para conter a disseminação do Coronavírus exigirá tolerar, uma forte retração na atividade econômica.

Da mesma forma, esta grande maioria de economistas concordam que abandonar às medidas de confinamento, a essa altura tornarão ainda mais, severas e complexas todo esforço realizado e de proporções inimagináveis de impacto econômico no futuro, na contra mão da visão da escolha de vidas em detrimento de empregos. A conclusão é de uma pesquisa publicada recentemente pela escola de negócios da Universidade de Chicago, pilar do liberalismo mundial, e que há dois anos vem mapeando a visão de economistas consagrados sobre temas de interesse público. Escola de pensamento cujo, Ministro da Economia Paulo Guedes pertence.

No país e no restante do mundo, estudos continuam sendo realizados, o próprio Exercito Brasileiro isto é, o Centro de Estudos Estratégicos do Exército (CEEEx) realizou estudo defendendo o Isolamento Horizontal em 22 páginas, o documento chamado “Crise covid-19: estratégias de transição para a normalidade” relembra as fases da proliferação da doença, desde a China, e cita o “crescimento exponencial dos casos, com milhares de mortes” na Europa e nos Estados Unidos. Bem como o falso dilema entre salvar vidas ou manter atividades econômicas é considerado apenas aparente e reforçando a necessidade do Estado ser protagonista na crise, segundo o documento.

O estudo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) apresenta o relatório técnico chamado: “Isolamento Vertical é ineficaz para conter a pandemia” em parceria com a Universidade Federal de São João del-Rei (MG) e a Diretoria de Perícias Médicas da Policia Civil de MG, o estudo é assinado por sete profissionais dos departamentos de Estatística, de Matemática e de Pediatria da UFMG , apontam que os resultados para a cidade de Belo Horizonte sobre o isolamento vertical seriam próximos há nenhuma medida de distanciamento. Os cálculos estatísticos se aplicam como parâmetros para outras regiões do país.

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV) apresentou estudo em que os pesquisadores: Silvia Matos, Luana Miranda, Livio Ribeiro, Vilma Pinto, Paulo Peruchetti e Tiago Martins, traçaram também vários cenários, contudo destaco o cenário mais pessimista, isto é, uma retração do PIB de 7%, não obstante de outras instituições como Banco Santander e Itaú Unibanco com resultados de 6,2 % de diminuição PIB. Em que o desemprego pode dobrar e somente a ação do governo poderá amenizar a deterioração da renda.

Portanto, algo que não se é conhecido gera muitas dúvidas e incertezas, leigos podem se perguntarem como são feitos estes estudos? Como economista quem vos escreve, respondo. Estes estudos são feitos através de modelos matemáticos, estatísticos, com rodagem de testes de hipóteses, observação de parâmetros com múltiplas variáveis econômicas entre outros termos técnicos, que na grande maioria apenas estudiosos da área conhecem. E quaisquer outros estudos com teste de hipótese mantendo se os mesmos modelos matemáticos etc., tenham a clareza, que nas mesmas condições os cenários a serem considerados seriam fundamentalmente piores sem as medidas preventivas. Não existe mágica e nem fórmula milagrosa, para a solução deste complexo problema do sistema socioeconômico e sanitário a não serem, as que já foram e continuam sendo tomadas pelas autoridades de Saúde, com base em termos técnicos e científicos, em destaque para a OMS e Ministério da Saúde.

Infelizmente, não existe cenário bom para nenhuma economia no mundo, nem no Brasil, Estados e Municípios, a questão é como agir num cenário entre um mal menor versus um mal maior. Para não cair no paradoxo ético isto é, na quantificação do valor da vida comparada a perda no nível de atividade econômica ocorrendo em debates que não se baseiam se pelos fundamentos científicos. Em entrevista à BBC News Brasil em Brasília dada pelo Henrique Meirelles atual Secretário do Planejamento de São Paulo e ex presidente do Banco Central, em que é conhecido de todos que é um grande defensor do arrocho fiscal, isto é do controle de gastos públicos, afirma que é hora do governo federal aumentar suas despesas, isto é aumentar o gasto/investimento público para conter o impacto da pandemia sobre a saúde e economia concomitantemente ao mesmo tempo. Reforça ainda essa crise não é de ordem matemática financeira, como a dos últimos 30 anos, mas de saúde que é de ordem social sendo impossível prever um horizonte com seguridade econômica.

Estes estudos surgem diariamente e com novos cenários e sim o governo com sua robusta, equipe econômica, Institutos como IPEA, IBGE e outros; Universidades, Banco Central entre tantos também realizam estudos, cenários e projeções que oportunamente, atingindo se o achatamento da curva, ou seja, sua desaceleração, novas medidas surgirão e serão apresentados pelos respectivos ministérios a estados e municípios.

Por fim, em Minas Gerais o governo anunciou em 08 de abril, plano com BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) para auxilio de micros e pequenas empresas com uma série de medidas econômicas para diminuir o impacto causado pela pandemia e a grande maioria das solicitações de crédito e pedidos de renegociação poderão ser feitas online, pela plataforma digital do Banco.

Enfim, como economista escolho, dos males o menor.

Ana Clara Maria Arantes
Economista, pela Universidade Estadual de Maringá – PR

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Ana Clara Maria Arantes

Ana Clara Maria Arantes acmarantes@gmail.com *Economista, pela Universidade Estadual de Maringá, UEM, Paraná-PR,Brasil-BR*

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