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‘Uber da abelhas’: apicultor de Jacuí é destaque no G1

Muito comum em outros mercados, o aluguel de abelhas para ajudar a melhorar a produção das lavouras ainda é pouco praticado no Brasil. Porém já começam a surgir no país startups dedicadas a conectar agricultores e apicultores para promover a chamada polinização assistida.

No caso do café, a ação dos polinizadores naturalmente presentes no ambiente aumenta a produção em 10% a 40%, segundo o relatório da BPBE e da REBIPP. O aluguel de abelhas vem como um reforço, e pode levar a um incremento ainda maior, explica o pesquisador.

O G1 visitou uma fazenda de café em Franca (SP) que está testando o aluguel de abelhas, com a ajuda de uma startup que criou um aplicativo para conectar apicultores e agricultores, uma espécie de “Uber das abelhas”.

O cafeicultor Alexandre Leonel é um dos que estão testando o serviço. Sua fazenda recebeu abelhas durante a florada, em agosto, pelo segundo ano consecutivo. A área polinizada ainda é pequena: elas foram instaladas em 5 dos 110 hectares plantados com arábica, mas o resultado animou o empresário.

Em 2018, a produtividade por pé da área polinizada [com as abelhas alugadas], comparada com a não polinizada, foi em torno de 50% maior. Alexandre Leonel

Leonel lembra que a florada foi irregular naquele ano e que a área de teste foi de apenas 1 hectare. “A tendência é ir ampliando”, diz.

Quem alugou as abelhas para o Alexandre Leonel neste ano foi Marcelo Ribeiro, conhecido como Batata. Ele tem um apiário em Jacuí, Minas Gerais, a pouco mais de 100 quilômetros de Franca, e produz cerca de meia tonelada de própolis anualmente. Tem cerca de 800 colmeias de abelhas africanizadas e outras 250 de espécies sem ferrão.

Elas foram levadas três dias antes da florada e ficaram no local por 10 dias. A flor do café tem vida curta e permanece aberta por três a cinco dias.

Foi a primeira vez que o Batata prestou esse serviço, por intermédio da startup AgroBee, de Ribeirão Preto, que conecta apicultores a produtores rurais interessados na polinização assistida.

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Batata recebeu R$ 45 por cada uma das 30 caixinhas que colocou na fazenda de café do Alexandre. A quantia paga pelo agricultor não foi divulgada. Nos EUA, apicultores chegam a receber US$ 200 por colmeia alugada para as lavouras de amêndoa, segundo Menezes, da Embrapa.

Para o Batata, o negócio valeu a pena. O própolis que ele vende é produzido pelas abelhas africanizadas.

Faz dois ou três anos que eu trabalho com abelhas sem ferrão e elas nunca tinham dado resultado, porque dão muito pouco mel e ainda não achei mercado para o própolis delas. Aí o aluguel já é uma fonte de renda. Batata

O apicultor pretende dar continuidade nesse negócio. “Ah, eu gostei demais. Sempre que aparecer assim, perto, eu pretendo alugar de novo. Se for muito longe o custo não compensa, dá muito trabalho”.

Desaparecimento de abelhas

Se o aluguel de abelhas é mais comum nos EUA do que aqui, a necessidade de reforçar a polinização nas lavouras norte-americanas também é diferente. O país sofreu, a partir de 2006, uma síndrome conhecida como distúrbio do colapso das colônias (DDC, na sigla em inglês), que fez milhões de abelhas simplesmente desaparecem das colmeias. As causas do problema ainda não foram totalmente identificadas pelo cientistas.

No Brasil não há registro de DDC, o que temos são casos pontuais de intoxicação aguda”, afirma Menezes. Só neste ano, foram registradas mortes de grande quantidade de abelhas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Pernambuco, em geral associadas ao uso incorreto de agrotóxicos.

Matéria: G1/Agro*

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