ColunistasTania Cristina Nunes

ÁLCOOL NA ADOLESCÊNCIA: a amarga dose que apavora a sociedade.

O consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes é um problema que desperta preocupação no mundo todo. Ao contrário do que muitos acreditavam no passado, na fase de transição entre a infância e a vida adulta, o sistema nervoso central dos jovens ainda se encontra em desenvolvimento. Desta maneira, suas vias neuronais podem se tornar mais suscetíveis aos danos causados pelo álcool, levando ao comprometimento de várias funções.

Em um período repleto de mudanças físicas, psicológicas e sociais, sob os efeitos do álcool, os jovens ficam mais impulsivos e propensos a comportamentos de risco, podendo cometer atos deliberados de violência contra si mesmo e contra os outros. É importante notar que fatores sociais, principalmente a influência de amigos e colegas podem colaborar nesse processo.

Recente pesquisa realizada entre estudantes brasileiros, com idades entre 13 e 15 anos demonstrou resultados alarmantes: a taxa de uso de álcool em suas vidas foram de 71,4 % (GRANDE MAIORIA NÃO APENAS EXPERIMENTOU COMO TAMBÉM ALCANÇARAM NÍVEL ALTO DE EMBRIAGUEZ).

As bebidas alcoólicas adocicadas e com gás são as mais atrativas, mais baratas e mais palatáveis aos jovens, o que as tornam porta de entrada para o consumo ostensivo de álcool: vodca com sabor, cachaça colorida e vinho adocicado estão entre os prediletas.

POR QUE OS JOVENS BEBEM?

Necessidade de aceitação pelo grupo, sensação de extroversão e maturidade, fuga da realidade. Veja abaixo alguns dos principais motivos que levam ao abuso de álcool na adolescência:

-Arriscar-se, ser independente e experimentar (cada um com sua própria intensidade) são características marcantes que os jovens passam a vivenciar e a desejar durante a adolescência. Para muitos, o álcool exerce um poder atrativo e em busca de uma “auto afirmação” acabam justificando o mau uso.

-Fazer parte da “tribo”: necessidade de aceitação pelo grupo.Todo mundo gosta de ser aceito. Nesta fase de busca de identidade, o jovem sente necessidade de aprovação, de ser aceito pelo seu grupo. Para isso, muitas vezes usam as mesmas roupas, ouvem as mesmas músicas, e bebem, se o grupo o fizer. Para muitos adolescentes, ter um copo de álcool na mão é símbolo de status e de maturidade.

-Ter uma tonturinha “boa”: para sentirem o efeito que a bebida traz. Os efeitos da bebida num primeiro momento, podem ser relaxantes para alguns e gerar extroversão. Estes efeitos fazem com que alguns sintam-se mais seguros, mais à vontade e mais sociáveis. Acreditam encontrar nos efeitos da bebida a coragem para fazer coisas simples, como dançar em público, conversar com colegas de outro sexo, entre outros.

-Tomar umas para esquecer os problemas: Nesta fase os jovens costumam se comparar muito e, por conta disto, alguns apresentam sérios problemas de autoestima e de frustração. Pode ser uma idade cheia de complexos e fragilidades. O temperamento de muitos deles costuma ser mais agressivo. Com isto, não é incomum os pais fazerem mais críticas do que elogios. Por isso, alguns buscam na bebida algum refúgio, bebem para “fugir” destes e de quaisquer outros problemas, acreditando que o estado de “anestesia” e de “descontração” temporários os ajudará a se distraírem e até se esquivarem das dores e dificuldades da vida, que tende a exigir cada vez mais deles, à medida em que se aproximam da idade adulta.

ATENÇÃO JOVENS: As razões acima não justificam seu uso. Beber não é legal e traz sérias consequências. No Sistema Nervoso Central o álcool pode provocar amnésia, déficits cognitivos temporários e prejuízo nos processos de aprendizado e memória.Há várias pesquisas científicas mostrando que o abuso do álcool antes dos 20 aumenta a vulnerabilidade para desenvolver depressão e transtornos de ansiedade.

ÁLCOOL VICIA: Jovens que começam a beber mais cedo têm mais chances de se tornarem dependentes do álcool quando adultos. Os que começam a beber aos 14 anos têm probabilidade quatro vezes maior de apresentar dependência alcoólica do que aqueles que iniciam o consumo após os 21 anos de idade. O início precoce do consumo aumenta o risco de lesões corporais, o envolvimento em confusões e acidentes com veículos. Eleva também a vulnerabilidade a riscos, como gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis. Mulheres e meninas, como sempre, são as principais vítimas. A dependência do álcool leva anos para estabelecer-se. Porém, um artigo publicado há pouco tempo numa revista científica mostrou que a exposição precoce à bebida alcoólica na adolescência aumenta muito a probabilidade de a pessoa tornar-se dependente.Expor o cérebro em formação, principalmente no estirão da puberdade, à bebida alcoólica faz com que o jovem valorize o prazer químico do álcool e passe a usá-lo regularmente. Se levarmos em conta que os adolescentes estão começando a beber cada vez mais cedo, com certeza, as taxas de dependência do álcool vão subir muito nessa população de jovens que começou a beber cedo.

-Estar na bad não é brincadeira: excesso de álcool na adolescência indica dores emocionais.O consumo de álcool por jovens, especialmente quando há sinais de excesso, pode ser um indicador importante de dificuldades emocionais, que precisam ser trabalhadas, mesmo que o jovem não se dê conta disto. Não é incomum que casos de abusos no consumo do álcool estejam associados à depressão em diferentes graus. É papel dos pais, familiares e amigos estarem atentos a estas dificuldades e fazer o encaminhamento, que pode trazer grande benefício para a vida do jovem.

Não se podemos esquecer jamais de que, em qualquer quantidade, o álcool é uma substância tóxica e que o metabolismo das pessoas mais jovens faz com que seus efeitos sejam potencializados. Não se pode esquecer também de que ele é responsável pelo aumento do número de acidentes e atos de violência, muitos deles fatais, a que se expõem os usuários.Proibir apenas que os adolescentes bebam não adianta. É preciso conversar com eles, expor-lhes a preocupação com sua saúde e segurança e deixar claro que não há acordo possível quanto ao uso e abuso do álcool, dentro ou fora de casa.

A psicologia pode atuar oferecendo acolhimento, escuta atenta, ajudando o indivíduo a lidar melhor com suas dificuldades, suas inseguranças e ansiedade, mas principalmente ajudando-o a compreender os problemas que os levaram a cometer estes abusos e quais são os caminhos para saná-los. É um caminho que visa o amadurecimento o autoconhecimento.

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Tania Cristina Nunes

Psicóloga, formada pela UNIP. Experiência em terapia infantojuvenil e adulto. Experiência em Transtorno do espectro autista. Psicodiagnóstico com intervenção. Apoio na escolarização e orientação e atendimento a pais e responsáveis.

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