ColunistasTania Cristina Nunes

A IMPACTANTE RELAÇÃO ENTRE DEPRESSÃO E SUICÍDIO

As causas do suicídio são variadas e a tendência ao suicídio na maioria das vezes é um problema que coexiste com a depressão, influenciando-se mutuamente. Em outras situações a tendência suicida tem sido tratada como um sintoma da depressão. Estes questionamentos me lembram aqueles exercícios de intersecção de conjuntos, mas na vida cotidiana essa matemática apresentada não é nada interessante: de acordo com a OMS 15 de cada 100 pessoas com depressão decidem por fim à própria vida. Entretanto, não podemos afirmar que todas as pessoas que cometem suicídio apresentam transtornos. Não podemos nos esquecer de que, muitas vezes, o suicídio acontece de maneira impulsiva diante de algumas situações muito impactantes e inesperadas da vida, como final de relacionamentos, perda de pessoas queridas, abusos ou mesmo crises financeiras. O suicídio também é comum em pessoas que sofrem discriminação, como refugiados, imigrantes, gays, lésbicas, transgênicos e intersexuais.

Mas então, como podemos ajudar na prevenção do suicídio?

Para contribuirmos na prevenção do suicídio, devemos ser capazes de perceber os sinais de alerta que uma pessoa emite. Se você perceber que uma pessoa, por exemplo, está desinteressada (até mesmo das atividades de que gostava), não tem mais a mesma produtividade na escola ou no trabalho, está isolando-se de amigos e parentes, descuidando-se da aparência, não se importa mais com suas atividades diárias ou diz muitas frases relacionadas à morte, isso pode ser sinais de que aquela pessoa está precisando de ajuda.

O primeiro passo é conversar com essa pessoa, mas aqui fica uma dica importante: deixe que a pessoa fale, sem emitir julgamentos ou opiniões sobre o assunto. Deixe bem claro que sua vontade é apenas ajudar. O que devemos lembrar sempre é que não devemos medir a dor dos outros pelas nossas experiências pessoais e entender que o que não nos afeta não necessariamente não causa dor e sofrimento no outro.

É importante sempre incentivar a pessoa que está apresentando sinais de que pretende cometer suicídio a procurar ajuda especializada. Em casos visivelmente graves, é essencial que a família tenha conhecimento da situação, bem como amigos próximos, para que a pessoa seja acolhida e estimulada a procurar ajuda. Caso perceba que a pessoa corre risco imediato, é fundamental não deixá-la sozinha.

Diante do temor de que o indivíduo possa atentar contra a própria vida, é fundamental que os familiares falem a respeito do assunto dentro de casa. No entanto, através da minha experiência clínica, tenho percebido que isto não ocorre, pois o assunto ainda é um tabu e dependendo do estado depressivo da pessoa, ela já está num estado de distimia tão profundo que torna-se inacessível. Nesse estágio, ela perde o interesse pela própria vida e atividades diárias fundamentais, não acha graça nem prazer em mais nada, tomada por um forte sentimento de inadequação e não pertencimento, mantendo uma imagem negativa de si mesmo. Geralmente acreditam não somente que a morte vá melhorar sua condição, mas também que ela removerá um fardo das pessoas que a amam (o que normalmente é uma visão distorcida).

Precisamos conscientizar as famílias da importância de se conversar, pois infelizmente, existe entre as pessoas em geral uma interpretação equivocada de que isso instigaria, despertaria sentimentos que levaria o indivíduo justamente a querer se matar. Ao mesmo tempo, outros apresentam grande resistência, receio de conversar abertamente com indivíduos deprimidos principalmente pelo temor da reação, pois aquele que sofre com a depressão não é acometido somente por atitudes de submissão e sentimentos de tristeza mas também por sintomas de stress e agressividade. Mesmo diante das objeções apresentadas, o fato de estar presente, acolher, de se mostrar disponível pode diminuir a resistência.

Precisamos entender que a depressão pode ter diversas causas, muitas delas sem motivo consistente e de difícil compreensão. Meu objetivo nesta matéria não é elencar as especificações e diversas causas do transtorno, pois são multifatoriais e podem depender não só de desequilíbrios químicos no cérebro, bem como condições genéticas e ambientais. Digo muito aos meus pacientes: “se descobrirmos a origem, o gatilho, ótimo, ou se buscamos o diagnóstico, tudo bem”. No entanto, mais importante que qualquer recurso é a empatia dispensada a este indivíduo naquele momento de sua vida, a fim de que perceba aquele ato como possibilidade de refúgio, abrigo e acolhimento independentemente da teoria que eu siga ou defenda.

Ao mesmo tempo, a vivência e a aceitação das dificuldades e a vontade de ressignificar as experiências anteriores é essencial. Ninguém nos ensina que o que fere não é a vida, mas nossas reações ao que nos acontece.

Tania Cristina Nunes

Psicóloga, formada pela UNIP. Experiência em terapia infantojuvenil e adulto. Experiência em Transtorno do espectro autista. Psicodiagnóstico com intervenção. Apoio na escolarização e orientação e atendimento a pais e responsáveis.

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