ColunistasTania Cristina Nunes

DIZER NÃO PARA UMA CRIANÇA É PERMITIR A FORMAÇÃO DE UM ADULTO ÉTICO

A criança nasce e encontra um mundo já pronto. Tudo é muito novo, seus recursos ainda muito precários, então, ela precisa de cuidados externos e a intervenção de um adulto para que possa se desenvolver de maneira adequada. Mesmo vivendo sob essa dependência, a criança quando pequena já é livre e possui sua individualidade. A mesma usa os recursos de acordo com a sua necessidade imediata ou com o que é mais vantajoso e interessante para ela. A busca pela satisfação de suas necessidades e a força do imediato é tão grande que chega a abarcar todos os aspectos de sua tenra vida. Aos poucos, no convívio familiar, no meio social, nas vivências com o outro é que ela vai entrando em contato com as possibilidades e as restrições diante da vida.

De acordo com a neurociência, há áreas do cérebro humano que precisam ser amadurecidas e treinadas durante a infância e nesse sentido, esperar a hora certa para realizar as atividades e treinar o autocontrole para não fazer birra por qualquer motivo desenvolve recursos cerebrais que serão importantes no desenvolvimento de novas habilidades. Analisando por outro prisma, deixar de ter suas satisfações atendidas ou mesmo adiar suas realizações será importante para o amadurecimento da criança, pois situações de perda, dificuldades ou sofrimento fazem parte da vida. Por isso, cabe ao adulto orientá-la no sentido de que nem tudo convém, nem tudo pode, ao mesmo tempo, ensiná-la a saber esperar como forma de compreender o valor do tempo e o valor das coisas.

Uma frase do psiquiatra e escritor Içami Tiba, vem alicerçar nosso raciocínio: “Criar uma criança é fácil, basta satisfazer-lhe as vontades. Educar é mais trabalhoso.” Realmente, como tem sido difícil para pais educarem seus filhos e encontrarem as melhores formas de lidar com problemas tão contemporâneos que tem acometido o seio familiar. Ao mesmo tempo, uma constatação, enquanto aumenta o acesso às comunicações em massa e tecnologias, os níveis de diálogo e demonstração de afetividade no lar diminuem. Vivemos numa época em que a estruturação familiar sofre muitas transformações: em muitos lares falta o amor. Presenciamos diariamente a demonstração de uma exacerbada informalidade e desrespeito diante das hierarquias.

Nossos filhos não toleram frustração, não conseguem lidar com problemas pessoais, profissionais e pressões da vida cotidiana, porque não aprenderam a ultrapassar situações difíceis e momentos de crise. Não gostam que falemos a eles o que fazer e se acham merecedores de privilégios e gratificações imediatas. Estão adoecendo psiquicamente  tanto quanto adultos, as drogadições, as compulsões, a depressão, o suicídio e violência tem aumentado muito entre eles.

A frustração faz parte da vida e ela se trabalhada ajuda o indivíduo a se colocar no lugar do outro, permite construir as bases da resiliência, desenvolvendo a coragem e a perseverança diante dos obstáculos.Quando os pais, numa conduta de superproteção, poupam demasiadamente seus filhos, omitem informações, deixam de mostrar o que é correto, acabam criando um sujeito inseguro emocionalmente e sem ética. LEMBRE-SE: QUANDO TIVER QUE DIZER NÃO A UM FILHO, VOCÊ ESTÁ DANDO A ELE A OPORTUNIDADE DE SER UM ADULTO MAIS SAUDÁVEL EMOCIONALMENTE E UM SER HUMANO MELHOR.

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Tania Cristina Nunes

Psicóloga, formada pela UNIP. Experiência em terapia infantojuvenil e adulto. Experiência em Transtorno do espectro autista. Psicodiagnóstico com intervenção. Apoio na escolarização e orientação e atendimento a pais e responsáveis.

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